Viagem a Lençóis (1)
Depois do sucesso de Noronha o ano passado este ano resolvi ir conhecer os Lençóis Maranhenses.
Como boa mineira comprei as passagens com décadas de antecedência para não ter problemas, até parecendo que eu, eu zinha, vou conseguir algum dia evitá-los. Acredito que comigo o negócio é assim: se dá para complicar porque vamos deixar a vida dela simples?
Faltando uma semana para a viagem recebo o aviso da VARIG: - Sua passagem era pela TAM como o final de nossa união o horário agora é o seguinte: chegada em São Luiz, terça feira às 2:30 da madruga e saída de São Luiz às 4:30 da madruga de quinta. Ham? Além do meu conhecido horror por estas horas soturnas (não sei como uma pessoa normal consegue acordar antes das 7:30 horas), como é que eu vou ir e voltar de Barreirinhas (a cidadezinha próxima aos Lençóis), que fica a quatro horas de São Luiz? . Problema meu. Não adiantou espernear: Somente têm este vôo. Devem estar à beira da falência.
Tentei fretar um vôo de São Luiz para Barreirinhas. Inútil. O teco-teco somente vai lá as segundas, quartas e sextas.
Após fazer as contas do tempo de viagem, vi minhas férias de uma semana virarem dois dias após descontar o tempo em viagem e em espera no Aeroporto.
Acertei com a pousada minha ida para Barreirinhas por micro ônibus às 5:30 horas. Ham? E onde ficar de 2:30 às 5:30 horas? Recusei-me a ficar abandonada no Aeroporto como uma sem teto e reservei um Hotel por uma noite em São Luiz na ida e outra na volta.
No dia da viagem, toda feliz e contente, embarquei no vôo com escala em Brasília e conexão em Fortaleza rumo aos Lençois Maranhenses.
Quando chegamos em São Luiz fomos para a esteira esperar nossa bagagem. E , tragédia: nada de minha mala grande.
Somente quem já perdeu bagagem sabe quanto é triste ficar olhando aquela esteira idiota e não ver sua mala aparecer (Já me aconteceu em Lisboa). Neste caso a novidade é que a VARIG já sabia como ficou demonstrado quando o funcionário veio em minha direção ainda ao lado da esteira, todo ressabiado: Dona Eloísa? Sim, sou eu. Sua mala ficou em Fortaleza. ( Coitadinha, na certa ela teve um mal estar e teve que ser atendida naquele aeroporto! ). Dê-me o nome de seu Hotel que amanhã de manhã ela estará lá. Informei-lhe, educadamente, ( bem, não tão educadamente) que eu não ia ficar em São Luiz, que iria para Barreirinhas...
Ficou contente: - Neste caso quando sua mala chegar a senhora ainda estará aqui no Aeroporto pois as conduções para Barreirinhas somente saem às 5:30. Informe-lhe que eu iria para o Hotel dormir aquelas duas horas que faltavam para a viagem e que a mala deveria estar lá quando eu acordasse, se não ... Olhou-me um pouco apavorado, não sei porque...
Meu marido não entendia meu nervosismo pois a mala perdida era dele, pois a minha era pequenina e foi comigo dentro do avião. Acontece que eu havia contrabandeado várias coisas minhas para dentro dela e não queria dizer... Até meu querido macarrão (bóia) estava lá.
Perguntei-lhe o que ia fazer se ela não chegasse. Ele disse-me todo tranqüilo: Compro outras roupas e vamos para Barreirinhas. Pensei onde eu iria achar um macarrão em São Luiz mas não disse nada.
Bem, dormi uma hora e ao acordar a mala estava lá na portaria, toda feliz e saltitante. Ficamos esperando o micro ônibus. Quando o mesmo chegou, nova surpresa: Somente tinha reserva para meu marido! Após outro estresse arrumaram um táxi para nos levar até lá ou até onde tivesse um micro ônibus com vaga.
Aí conseguimos chegar em nosso destino após horas na estrada.
A pousada, que era para ser na rua principal, ficava longe do centro. Olhei para meu marido que se encolheu entre os buracos do caminho. Após mais alguns solavancos chegamos, descansamos umas duas horas e fomos conhecer os Lençóis. É maravilhoso andar de “fora-de-estrada” na areia e depois caminhar pelas dunas do deserto, após mais de vinte e quatro horas em viagem! Divino e repousante! Meu bum-bum então ficou numa alegria só!
Depois eu conto o resto....
Escrito por Elô às 08h33
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