Um dia de Cão
Tem dias em que a gente não deve sair da cama. Pena que somente percebemos isto quando o dia termina. Quando termina!
Aconteceu-me ontem.
Desde as seis horas da manhã até as 3:00 da madrugada de hoje (que foi a hora em que consegui- finalmente – dormir) o dia foi uma merda.
E a cada hora, eu, que já estava decidida que nada aborreceria neste dia, fui tentando relevar, engolindo os sapos lentamente , sempre pensando que uma hora o dia terminaria e com eles todo o aborrecimento. Ledo engano!
O que consegui foi uma bruta insônia, um mal estar terrível, a sensação de que a pressão tinha subido e de que eu morreria a qualquer momento.
Finalmente, depois de chegar à conclusão de que o máximo que poderia acontecer-me seria morrer, o que, na altura dos acontecimentos do dia não seria grande perda, eu consegui dormir com a firme intenção de prolongar a noite até o meio-dia pelo menos. Outro engano! Duas horas depois já estava de pé, tensa, mas sem sono. E cá estou. Em frangalhos, deprimida e achando que nada vale a pena. E devo estar certa pois pensando bem, se, de repente, eu sumisse no mundo acredito que levaria um bom tempo para as pessoas notarem (se é que alguém notaria) e muito mais tempo para alguém sentir a minha falta. Se bem que não, de repente o porteiro de minha empresa e a faxineira, que todo dia me dão bom dia, lembrar-se-iam de mim. E tem também o caixa do restaurante e a manicure da quinta feira. A Mônica – dentista, por certo lembrar-se-ia de mim (eu estou devendo-lhe)
Escrito por Elô às 07h26
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|